No primeiro ano, Spcine investe R$ 22 milhões e garante apoio para 46 produções

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Desde janeiro, quando foi aberta, a empresa pública de fomento também apoiou 40 eventos do setor, como o Festival do Minuto e o Telas, e 18 filmes com financiamento da SPcine brilharam nas salas de cinema.

 

Aberta oficialmente em janeiro, a Spcine fechou o seu primeiro ano de atividades com resultados positivos para as políticas de ampliação do desenvolvimento, financiamento e implementação de programas para o audiovisual da cidade de São Paulo. Desde janeiro, dentro do Programa de Investimentos, a empresa pública aportou mais de R$ 22 milhões em 46 diferentes produções audiovisuais, além de apoiar mais de 40 eventos do setor, como o Festival do Minuto e o Telas.

Além dos avanços com a “film comission” (comissão fílmica), que facilita e desburocratiza a filmagem de produções na capital paulista, somente neste ano 18 filmes paulistas apoiados pela Spcine foram lançados e brilharam em salas de cinemas da cidade, de todo o Brasil e até do mundo. Entre os filmes apoiados pela Spcine está “Que Horas Ela Volta?”, de Anna Muylaert, que já foi visto por mais de 500 mil espectadores.

“Temos vários programas de fomento em diferentes áreas, mas são programas que de certa forma acabam neles mesmos, e a ideia da Spcine e da política de cinema é que ela possa ser estimuladora de um processo que não vai se limitar à ação do poder público, mas que possa estimular toda a cadeia a se desenvolver, inclusive buscando recursos e viabilizando para garantir a receita própria, por exemplo, fazendo o audiovisual crescer no Brasil”, disse o secretário municipal da Cultura, Nabil Bonduki.

“É curioso que, se você somar todas essas salas comprometidas com os editais, nós teremos 3.000 salas ocupadas por filmes paulistas, o que é a soma das salas de filmes que receberam o investimento se comprometeram a lançar”, afirmou o diretor de desenvolvimento econômico da empresa, Maurício Ramos.

“Que Horas Ela Volta?”, produzido pelos irmãos Caio e Fabiano Gullane e distribuído pela Pandora Filmes, foi escolhido pelo Brasil para tentar uma indicação ao Oscar de melhor filme em língua estrangeira e é um dos cinco concorrentes a melhor título estrangeiro no Critics’ Choice Awards, prêmio concedido pelos críticos de cinema dos Estados Unidos.

“Essa política de fomento municipal é importantíssima, porque há muitos anos a gente trabalha e ouve falar de uma política municipal em uma cidade do tamanho de São Paulo, e acho que começou com o pé direito. Por isso, vida longa para a Spcine”, afirmou André Sturm, diretor da distribuidora do longa, a Pandora Filmes.

Na noite desta terça-feira (15), em cerimônia no Centro Cultural São Paulo (CCSP), Sturm e a diretora do filme entregaram um documento ao secretário da Cultura, Nabil Bonduki, ao diretor de desenvolvimento econômico da empresa, Maurício Ramos, e à primeira-dama, Ana Estela Haddad, que estampa o retorno do investimento de R$ 150 mil aportado pela Spcine para a distribuição do longa-metragem.

“O apoio da Spcine foi fundamental para o lançamento do filme, e é uma alegria, porque a gente está podendo devolver o que a Spcine investiu, renovando esse ciclo”, afirmou a diretora Anna Muylaert.

“A gente fica muito contente de ter esse retorno, que é um exemplo, e a gente espera que seja o primeiro de muitos do cinema paulista e brasileiro para que a Spcine possa crescer cada vez mais”, disse Bonduki.

O retorno dos recursos investidos foi obtido com a bilheteria do filme, que foi lançado em mais de 30 países. “O filme ser reconhecido e ser de uma cineasta mulher é um grande orgulho para nós, mulheres. Acho que nas artes, na literatura e no cinema, quando vou assistir a um filme que tem uma leitura feminina, ele não é melhor ou pior, mas é uma leitura diferente, que tem outro olhar”, afirmou Ana Estela.

Novos investimentos
O evento também marcou a entrega dos certificados que garantem o investimento de R$ 8 milhões, divididos em 16 projetos aprovados pelo processo seletivo da Spcine na chamada linha 1, lançado em abril e com resultado divulgado em outubro deste ano. Dos 16 escolhidos, um está na categoria ficção com orçamento de até R$ 1 milhão; três são obras de novos realizadores; seis documentários e seis projetos de ficção, sendo um de animação.

Entre os diretores contemplados estão nomes como Helena Ignez, Luiz Bolognesi, Juliana Rojas, Marco Dutra e a própria Anna Muylaert, desta vez com o filme “Mãe Só Há uma”.Confira a lista completa dos projetos, sinopses e seus respectivos realizadores.

“Discutíamos antes do evento que algo interessante é que mais de 40% dos projetos selecionados são de mulheres, e a média em outros processos é de 10%. Isso é muito significativo para a produção”, disse Beatriz Seigner, diretora de “Entre nós em segredo”, documentário gravado no Mali. “Com esse investimento, vamos conseguir filmar o que falta no Brasil, e isso será importante para trazer um pouco da cultura africana, além do que conhecem sobre a escravidão, mas também sobre os grandes impérios e a literatura.”

Salas de cinema
Além do financiamento de produções e apoio a eventos do setor, a Spcine também iniciará, a partir do primeiro trimestre de 2016, a implementação de 20 salas de cinema, que serão distribuídas pela periferia da cidade de São Paulo. O objetivo é que, com preços populares ou simbólicos, a população que mora em regiões mais afastadas possam conhecer grandes títulos, em especial latino-americanos, em locais como Centros Educacionais Unificados (CEUs) e teatros municipais com exibições feitas por equipamentos de alta tecnologia, adquiridos pela Prefeitura por meio de edital.

“Entre fevereiro e abril, vamos inaugurar 20 salas. Já temos autorização para aditar esse contrato para fazer mais quatro e devemos lançar outro edital em seguida para garantir que, pelo menos, cada uma das subprefeituras tenha uma sala de cinema”, afirmou Bonduki.

Spcine
Em 2013, a Secretaria Municipal de Cultura deu início a uma nova política de cinema e audiovisual para São Paulo. Nos últimos dois anos, os destaques ficaram para a proposta de criação da Empresa de Cinema e Audiovisual de São Paulo (Spcine), os novos editais de desenvolvimento e distribuição e o acordo entre Prefeitura e CAIXA para a retomada do Cine Belas Artes, patrimônio dos paulistanos.

A criação da Spcine foi lançada no fim de outubro de 2013, em evento na Praça das Artes, com a presença de representantes das três esferas de governo. Uma empresa ou agência de fomento para a produção cinematográfica e audiovisual na cidade era uma demanda antiga e frustrada do setor. Após o lançamento, o projeto de lei de criação (PL 772/2013) foi enviado para a Câmara Municipal e aprovado em primeira votação no dia 26 de novembro do mesmo ano por unanimidade, mesmo resultado da segunda votação, que aconteceu no dia 3 de dezembro.

O projeto de lei sancionado no dia 20 de dezembro foi resultado da colaboração com dez associações representativas do setor audiovisual, sendo elas: Associação Paulista de Cineastas (Apaci); Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de São Paulo (Siaesp); Associação Brasileira de Curta-Metragistas e Documentaristas – seção São Paulo; Associação Brasileira da Produção de Obras Audiovisuais (Apro); Associação dos Roteiristas (AR); Associação Brasileira de Produtores Independentes de Televisão (ABPITV); Associação Brasileira de Cinema de Animação (ABCA); Associação Brasileira dos Desenvolvedores de Jogos Digitais (Abragames); Associação Brasileira das Empresas Locadoras de Equipamentos e Serviços Audiovisuais (Abele); Rede de Coletivos de Artes Visuais (ALT [av]).

Fonte: Prefeitura

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Sobre o Autor

Vereador Atílio Francisco

Vereador do Partido Republicano do Brasil (PRB) na Câmara Municipal. · Autor de diversos projetos transformados em leis municipais e um dos vereadores mais atuantes da Casa.

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